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Sexta-feira, 27 de Abril de 2007

Hino de Lafões

Sob o título "O Vale de Lafões", o jornal "Correio da Beira", de Viseu (que é um dos vários antecessores do actual "Jornal da Beira"), publicou, no n.º 322, de 6.V.1914 , os versos do hoje chamado "Hino de Lafões", antecedidos da seguinte nota:


"Da "Mocidade de Lafões", versos publicados no último número pelo Dr. Celestino e feitos há 32 anos".

Por esta nota e pela data do jornal, ficámos a saber que estes versos foram feitos em 1882, ocorrendo, portanto, no ano de 1982, o seu 1º Centenário.


O Dr. Celestino Henriques Correia Severino era natural da Malhada, freguesia de Alcofra , nesse tempo concelho de Oliveira de Frades e agora concelho de Vouzela, onde nasceu, a 24 de Janeiro de 1863. Era filho do Dr. Manuel Henriques Correia Severino e de D. Margarida Henriques Almira .

Era irmão do Pe . Diamantino, que foi Abade de Pinheiro de Lafões.


Fez o liceu em Viseu e formou-se em Direito, na Universidade de
Coimbra.


Ainda estudante, em Viseu, publicou, em 1880, em verso solto, "Um filho de Minerva" .

Em 1882, publicou "Cântico dos Cânticos de Salomão", texto bíblico em verso. Em 1885 publicou "Terramoto em Espanha". Colaborou em diversos jornais de Viseu.


Antes de ir viver para Viseu, onde se dedicou à advocacia e exerceu diversos cargos e onde casou, viveu em Oliveira de Frades, onde, em 1892, fundou o jornal "O Lafões", juntamente com o Dr. António Figueirinhas, para defesa do concelho, ameaçado de ser extinto.


Faleceu em 1924. Legou à Câmara de Oliveira de Frades a sua biblioteca e à Região de Lafões o conhecido "Hino", que ainda hoje anda na boca e no coração de muita gente e que eu aprendi na Escola Primária, em Oliveira, freguesia de Sul, concelho de S. Pedro do Sul, quando lá leccionava o Professor Custódio Fernandes da Silva, natural de Cambra, concelho de Vouzela.


Estes versos - em minha opinião - devem ter sido feitos em Oliveira de Frades, quando o Dr. Celestino lá vivia, antes de se estabelecer em Viseu. Fundamento a minha opinião no facto do poeta se referir à Boa Vista, ao meu Outeiro e ao S. Cristóvão que fica de fronte ali do Olheirão , tudo isto situado na vila de Oliveira de Frades.


Quanto à música, não se conhece o original e há mais do que uma versão. Uma delas vem reproduzida na revista "Beira Alta" (volume VIII, fascículo I e II, de 1949) e foi recolhida por Paulo J. de Figueiredo, a qual tem algumas pequenas diferenças da que eu aprendi na Escola Primária, ainda durante a vida do Dr. Celestino, também conhecido por "o doutor da Malhada".


As mesmas variantes se notam na letra. Há até algumas estâncias que o povo canta e que não foram publicadas, nem no "Correio da Beira", em 1914, nem, recentemente, na "Tribuna de Lafões", de 25.4.1981.

(…)


HINO DE LAFÕES
São cheias de Serras
Todas estas terras

Por onde nascemos.
Ainda assim vivemos
Com o que temos
Melhor que ninguém.
Das terras que vi

Como estas daqui

Oh! não há nenhuma...
Encerram, em suma
Belezas mais que uma
Que as outras não têm.

Lafões
É um jardim
E não há no mundo
Um lugar assim!
Tem flores nos montes
Regatos e fontes
D' águas cristalinas.
Formosas meninas
E outras coisas finas
Tudo do melhor.
Tem um belo rio
Onde pelo estio
Vão ninfas nadar...
E a brisa e o luar
Sabem murmurar
Cantigas de amor!
(Variante)
Flores pelos montes
Regatos e fontes
De águas cristalinas
Formosas meninas
E outras coisas finas
Tudo do mais puro.
E um belo rio
Onde pelo estio
Nos vamos banhar
E às vezes pescar
E ouvir tocar
O José do Muro.
O José do Muro

É um rapaz de truz
Grande brincalhão.
De banza na mão
Faz a animação

Da rapaziada.


Se ele se vai embora
Toda a gente chora

E não é p'ra rir.

Não se torna a ouvir (*)
Não se torna a ouvir
Uma guitarrada.

Tem a Boavista

Que é um paraíso
Um céu verdadeiro
Tem o meu Outeiro
Talvez o primeiro
Em amenidade

Tem o S. Cristóvão
Que fica de fronte
Ali de Olheirão ...

Não é mangação
Parece a mansão
D'uma divindade

Que largo horizonte
Te engrinalda afronte
Vila de
Oliveira!
És como a palmeira
Olhando altaneira
Por esse amplo azul!
Mais além
Vouzela
Se esconde no Zela
Púdica , modesta.
Em trajes de festa
Vai tomando a sesta
S. Pedro do Sul.

Pe . Alberto Poças Figueiredo
(1913-1983)

Texto extraído, com a devida vénia,  do seu artigo
Centenário do “Hino de Lafões”
,


publicado in "Tribuna de Lafões" 15.02.1982,
e
republicado in
Em Memória do Pe . Alberto Poças Figueiredo
,

Clube “O Cebolinha”, S.Pedro do Sul, 1998, pp.51-55 .

(*) este verso que se repete na linha abaixo talvez não corresponda ao original sendo eventualmente um erro na publicação citada;
ouvimos recentemente uma versão em que no seu lugar estava "Se o deixarmos ir";
não estamos certos se este é o verso original mas parece mais de acordo com o restante poema.
( Tó Zé 10-07-2010)
publicado por Tó Zé às 00:26
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4 comentários:
De unhanegra a 27 de Maio de 2007 às 22:31
Caro Tó Zé

Fez bem m comunicar comigo. É sempre bom trocar impressões.

Efectivamente, o Hino e Lafões é interessante. E interessante pelo tipo de rimas que tem, rimas próprias de um tempo e de um (sem dívida) amante da sua terra. Hoje já pouco há!
Se quisermos ler nas entrelinhas, está um bocado no espírito do pobretes mas alegretes". Mas... e depois? não era esse o espírito da época? Se calhar é melhor que o espírito do momento, que não é nenhum!
Os hinos têm razão de ser quando expressam efectivamente a alma de um povo ou de uma comunidade. Mas para isso é necessário ter essa noção . A noção de que somos uma comunidade, um bairro da Europa, com identidade!
O problema é que a identidade está a desaparecer e sinto que cada vez sei menos quem sou.
Ora...sem nacionalismos exacerbados, sem confusões com esse nacionalistas inconsequente que por aí existem , é necessário e urgente, termos orgulho em nós próprios. Os hinos podem dar uma ajudinha... Sempre com as devidas cautelas. Costuma dizer-se: Cautelas e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém

Perdoe-me estas modestas ideias, mas são as minhas.
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Caro Tó Zé <BR><BR>Fez bem m comunicar comigo. É sempre bom trocar impressões. <BR><BR>Efectivamente, o Hino e Lafões é interessante. E interessante pelo tipo de rimas que tem, rimas próprias de um tempo e de um (sem dívida) amante da sua terra. Hoje já pouco há! <BR>Se quisermos ler nas entrelinhas, está um bocado no espírito do pobretes mas alegretes". Mas... e depois? não era esse o espírito da época? Se calhar é melhor que o espírito do momento, que não é nenhum! <BR>Os hinos têm razão de ser quando expressam efectivamente a alma de um povo ou de uma comunidade. Mas para isso é necessário ter essa noção . A noção de que somos uma comunidade, um bairro da Europa, com identidade! <BR>O problema é que a identidade está a desaparecer e sinto que cada vez sei menos quem sou. <BR>Ora...sem nacionalismos exacerbados, sem confusões com esse nacionalistas inconsequente que por aí existem , é necessário e urgente, termos orgulho em nós próprios. Os hinos podem dar uma ajudinha... Sempre com as devidas cautelas. Costuma dizer-se: Cautelas e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém <BR><BR>Perdoe-me estas modestas ideias, mas são as minhas. <BR class=incorrect name="incorrect" <a>Camtem</A> o Hino. É melhor mil vezes que esta porcaria que fizeram aqui para o Sul, que só serviu para uns espertinhos ganharem umas coroas. Graças a Deus que já ninguém se lembra daquilo <BR><BR>Cumprimentos <BR>Unha Negra
De Tó Zé a 28 de Maio de 2007 às 22:17
Caro Unha Negra,

Agradeço as suas notícias, bem como os seus comentários que muito apreciei.

Envio-lhe os melhores cumprimentos.

Tó Zé
De rakel a 28 de Dezembro de 2007 às 18:13
nao gosto minimamente nada
De Tó Zé a 2 de Janeiro de 2008 às 11:45
Obrigado pela sua visita. Embora não esteja certo do que não gosta, se do "post " se do "Hino", agradeço também a manifestação da sua opinião. Se já teve, ou se tiver, oportunidade de conhecer a região de Lafões, espero que possa ter em relação a ela uma opinião diferente baseada numa experiência agradável. Bom Ano Novo.

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